Esta pesquisa investiga o “mito fundador do Brasil”, conforme definido por Marilena Chauí, e seus desdobramentos visuais na história da arte, constituindo um levantamento iconográfico das imagens que marcam a formação da nação e rememoram sua fundação. Reunindo sete dessas imagens, demonstra-se como os mesmos gestos vêm sendo repetidos por diferentes personagens dessa história, consolidando um sujeito histórico indeterminado – figura que ocupa papel central na iconografia nacional. Entre esses gestos, destaca-se, neste artigo, a representação do encontro entre nativos e navegantes, cena recorrente no mito do “descobrimento” que, da pintura acadêmica ao cinema, reforça relações de poder e submissão. No entanto, há diferenças entre essas imagens: enquanto Oscar Pereira da Silva cristaliza o momento num instante quase fotográfico, Antônio Parreiras revela um desencontro. Entre a análise historiográfica e a prática artística, questionam-se as imagens consagradas da memória nacional e propõem-se novas leituras do passado.

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