Vera Cruz Sunset, 2025

Instalação. Papel fotográfico Kodak Supra Endura a cores, fora de validade, projeção de diapositivo e crucifixo de madeira de souvenir.

Folhas de papel fotográfico, com dimensões de 20,3 x 25,4 cm, são agrupadas e fixadas à parede, formando uma superfície de 240 x 150 cm. A tonalidade violeta intensa resulta da deterioração química do papel fora de validade que, ao ser exposto à luz, inicia um processo fotográfico inverso. À medida que a exposição se prolonga, as folhas perdem gradualmente a cor, tornando-se brancas. Na base desta superfície é projetado um diapositivo com a imagem de um praia do nordeste brasileiro. Um crucifixo de souvenir, adquirido numa loja de artigos religiosos no centro de São Paulo, pé colocado diante do projetor, projetando a sua sombra sobre o papel fotográfico e sobre a própria imagem projetada. Vera Cruz evoca simultaneamente o primeiro nome atribuído ao território brasileiro pelos colonizadores portugueses e a pintura A primeira missa no Brasil (1861), de Victor Meirelles. Com alguma ironia, o título remete para as narrativas fundadoras da colonização, ao mesmo tempo que sublinha o caráter processual da instalação: a superfície fotossensível transforma-se continuamente durante o período da exposição, em consequência da luz natural proveniente da janela do espaço expositivo e da luz emitida pelo projetor.

Exposição coletiva Quase à noite, Espaço das Artes da Universidade de São Paulo.